Olá leitor(es)
Hoje é dia 19 de fevereiro, quase 7 meses depois que o blog Pulp Alter surgiu. Conforme eu tinha dito na primeira postagem, "Apresentação Introdutória", o meu planejamento era durar apenas 6 meses e afirmei que os leitores irão definir o destino do blog.
Portanto leitores chegou a hora de vocês decidirem o futuro do blog. Se a demanda do público querer mais eu estarei motivado a continuar; mas caso ao contrário, pelo menos eu tentei e foi uma tentiva muito orgulhosa. Então se você quiser que Pulp Alter continue comente nos comentários abaixo desta postagem, escreva mensagens na página do Facebook (https://www.facebook.com/pages/Pulp-Alter/613337665432283?ref=hl) ou até mande hashtag como hashtag (#PulpAlterContinue).
Basicamente é tudo isso que tenho a falar. Então leitores que acompanham desde a criação ou até estão conhecendo agora, esta será tarefa de vocês daqui pra frente com futuro do blog Pulp Alter está em suas mãos.
Abraços
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
A Fórmula da Série
“A Fórmula da Série”
(04/11/2013 – segunda feira)
NOTA do AUTOR: nesta publicação será um pouco diferente, pois este possui o formato escrito como um roteiro comum de filme ou série. Falando em seriado, esta história pode ser bem compreendida caso o leitor assista muitas séries de TV.
Na
sala de reuniões da Comissão Nacional da Televisão Brasileira (CNTVBr)
encontram-se vários roteiristas de todos os meios de entretenimento, como os
de: novelas, reality shows, esquetes de humor e etc. Todos estão trocando ideias
até a chegada do Diretor da empresa.
DIRETOR
- Bem, bom dia a todos e obrigado por virem nesta
reunião. Eu pedi a todos vocês virem aqui porque este país precisa de algo
novo!
ROTERISTA 1
- E o que seria Diretor?
DIRETOR
- Bem, é que ultimamente
nossa empresa comprou muitos direitos autorais de exibição de alguns programas
da TV de fora. Como: BBB, Ídolos, Master Chef e The Voice. E aí que eu lhes
pergunto “qual é principal novidade do momento das TVs de hoje?”
Todos
ficam em dúvida, olhando para cima, pondo a caneta/lápis perto da boca como
forma de pensamento e alguns conversam baixinho.
DIRETOR
- Hã...para não perdemos
tempo eu digo: séries de TV com episódios interligados.
ROTERISTA 2
- Espera aí seu Diretor, o
senhor quis dizer novelas?
DIRETOR
- Não! Nunca! Série de TV
interligada, sabe aquela no estilo americana.
Sem essas tramas de: “quem matou quem”, “fulano traiu com seu corno”,
“muito menos vilão de coisa mexicana”.
ROTERISTA 3
- Só
um minutinho senhor Diretor.
DIRETOR
- O que foi Bráulio?
ROTERISTA 3
- Como é essa série de TV no
estilo americano que o senhor está falando?
DIRETOR
- Aquelas que seguem uma
fórmula específica. Se vocês notarem, por exemplo, depois de 24 Horas e Lost,
muitas séries vieram com esta mesma fórmula. Eu inclusive escrevi algumas
coisinhas obrigatórias que deve ter.
ROTERISTA 4
- Ah que bom! Então fale
aí Diretor.
DIRETOR
- A trama deve girar em
torno de: pessoas unidas por uma determinada causa, sempre haver um personagem
de origem asiática, ter criança ou adolescente no meio, alguém muito estranho
sinistro guardando algum segredo consigo; e o protagonista possui algum passado
não tão bom e enfrentar a situação atual como uma oportunidade de se ver
melhor.
Depois
que todos ouviram o Diretor os roteiristas papearam um pouquinho sobre a idéia,
balançaram suas cabeças positivamente e bateram palmas.
ROTERISTA 5
- Mas eu ainda tenho uma dúvida.
DIRETOR
- O que foi René?
ROTERISTA 5
- Por acaso esta série vai ter
putaria? Sabe...vai ter cenas de sexo,
homens mostrando a bunda e as mulheres os peitos?
DIRETOR
- Pode até ter um
pouquinho de tetas. Podemos até nos igualar as séries da HBO ou Show Time, para
o público poder ver e gozar.
ROTERISTA 3
- Desculpe aí só um minutinho senhor!
DIRETOR
- O que foi Bráulio?
ROTERISTA 3
- O senhor
havia dito que queria uma série de TV no estilo americana, certo?
DIRETOR
- Isso.
ROTERISTA 3
- Que tal a
gente inserir nesta série um problema atual e reflexivo ao país.
DIRETOR
- Tai alguém
que tem uma brilhante idéia. Conta aí.
ROTERISTA 3
- Se a gente
fazer uma série parecido com The Walking Dead. Só que ao invés de zumbis vamos
colocar o apocalypse fosse: o retorno da inflação!
DIRETOR
- Continue
sua história.
ROTERISTA 3
- Bom se
passa em algum tempo depois da Copa do Mundo, Olimpíadas no Brasil e alguns
eventos de encontros universais terem sido fracassados aqui. Com isso os países
do mundo perceberam a nossa verdadeira face maquiada, e eles decidem abandonar
as parcerias financeira e econômica. Com isso todos os tipos de produtos daqui
aumentaram seus preços e assim retornou aquela inflação dos anos oitenta.
ROTERISTA 1
- E com a
inflação, o governo irá fuder o povão deixando-o emputecido. E aí a população
que tem a cultura do “foda-se” acabam quebrando tudo em sua volta.
ROTERISTA 2
- Assim os
políticos recebem proteção da polícia, do exército, da marinha e aeronáutica
brasileira; deixando a população de lado. Assim temos nossos personagens que estão
à procura destes safados a fim de buscar uma vida melhor.
Todos estão alegres pela ideia brilhante. Até
que alguém interrompe chamando o Diretor.
ROTERISTA 4
- Diretor só
um esclarecimento.
DIRETOR
-
Que foi?
ROTERISTA 4
- O que tá
mesmo bombando não são séries de TV e sim os serviços de “streaming”.
DIRETOR
-
Quê?
ROTERISTA 4
-
Streaming. Netflix.
Crackle. Serviços de internet com pacote de opção “Play”.
Todos ficam em silêncio. Ninguém reage.
Roterista 4 tenta entender o que aconteceu
ROTERISTA 4
- Gente. Que
foi? Por que todo mundo tá parado aí?
ROTERISTA 5
- Estamos
esperando...
ROTERISTA 4
- Quem?
DIRETOR
- O escritor
que criou a gente e nossa história. No momento ele está em crise de
criatividade para nossa finalização.
ROTERISTA 3
- Lembra o
Tele Curso 2000 que tinha um personagem chamado Machado que era escritor e
trabalhador industrial. Na maioria das histórias dele eram incompletas e
ficavam congeladas.
ROTERISTA 1
- E aí
aparecia um homem perguntando ao espectador como iria acabar.
ROTERISTA 5
- É. Acho
que ele tá chegando...
O Diretor e
os roteiristas saem de cena. Aparecem dois homens: branco e negro sentados numa
mesa com uma máquina de escrever. Aí viram a cabeça para conversar com leitor.
MACHADO
(Theo Werneck)
- E você tem
alguma ideia para mim?
PERSONAGEM
DO TELECURSO (Acaiabe)
- (Risos) É
faz muito tempo que nós não vemos. Já que você conseguiu chegar até aqui pode
fazer um pequeno favor. Deixe um pouco seu celular de lado e vamos exercitar a
imaginação para esta história.
MACHADO (Theo
Werneck)
- Se você
sabe como terminar escreva aqui na parte dos comentários. Foi bom nos
reencontrar. Tchau.
PERSONAGEM
DO TELECURSO (Acaiabe)
- Até a
próxima.
FIM
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
Festa de Reencontro
“Festa de Reencontro”
(23/01/2015
– Sexta feira)
Escrito por
Robson Nakazato
NOTA do AUTOR: antes de vocês lerem uma pergunta: Vocês já ouviram falar,
lembram e/ou assistiram o desenho “Os Três Amigos e Jerry”? Caso você não sabia
de nada sobre o programa sugiro que você pesquise, pois esta publicação tende a
ser um pouco nostálgica.
Em um baile de reencontro de ex-alunos do
ginásio de um colégio americanos três antigos amigos se encontram.
JERRY – Eric. Thomas.
ERIC e THOMAS – Jerry!
JERRY
– Nossa! Quanto tempo que a gente não se vê desde 99 junto com o Frank.
ERIC
– Puxa é mesmo.
THOMAS
– Que memória você tem Jerry.
JERRY
– Vamos pegar uma mesa vazia.
Os três se sentam em uma mesa e começam a
falar sobre suas vidas.
JERRY
– Então onde vocês estiveram depois que eu tinha me mudado em 99 novamente.
THOMAS
– Bem eu decide ficar porque meu pai adquiriu terras agrícolas de produção para
poder pagar as minhas despesas de faculdade de fora.
JERRY
– Nossa que bacana.
THOMAS
– Eu não diria isso Jerry.
JERRY
– Por quê?
THOMAS
– Porque naquela época vivia numa rotina que seguia da seguinte forma: de
segunda a sexta eu cursava minha faculdade; nos finais de semana voltava aqui
para ajudar meus pais para realizar os serviços internos; e no domingo a noite
voltava para meu curso para tudo novamente. Inclusive tinha o Frank que me
chamava para... Bem você sabe.
JERRY
– Saco, hein.
THOMAS
– É. Nem me fale.
JERRY
– E Eric?
ERIC
– Bem. Eu entrei num time de futebol. Joguei por quatro anos até conseguir uma bolsa
de estudos. Fiz educação física e hoje sou “couching” de meninos desanimados e
gordos pela globalização. Sabia que o Frank entrou junto comigo mas foi expulso
do time por invadir o banheiro feminino.
JERRY
– Que cagada!
ERIC
– Mas e você Jerry? O que você andou fazendo desde que mudou novamente em 1999?
THOMAS
– Pera ai por que você tinha se mudado mesmo?
JERRY
– Bem...Lembra uma vez quando eu fui caçar borboleta e peguei o inseto pousada
na bunda da professora enquanto estava tomando. Tenho até uma foto aqui (Jerry
tira uma foto e mostra para os amigos).
ERIC
e THOMAS – Puta que pariu! É mesmo.

THOMAS
– Às vezes eu suspeito que ela seja um traveco.
JERRY
– Bom depois disso, a professora recomendou ao diretor que eu fosse expulso da
escola. E também minha ficha estava escrito todas as ações e atitudes dos
planos cometidos por nos e o Frank em tentar conquistar as garotas acabou
fazendo com que meus pais tivessem a ideia de nos mudar novamente.
ERIC
– E você por acaso se formou em administração, certo?
JERRY
– Correto, administração empreendedora. Como você descobriu?
THOMAS
– Ora, você sempre tinha ideias inovadoras pra gente e o Frank, mesmo que ele
não quisesse você no grupo. Lembra naquele dia que você roubou uma prova fodida
dessa professora; e o Frank se achando que iria bem e se dar melhor sem nós
três substituindo por um papagaio de pirata.
JERRY-
É... Mas pra mim tive um momento mais marcante.
ERIC
– Qual foi?
JERRY
– Quando nossos pais fizeram uma mini olimpíadas interno. Meu pai que era um
escroto técnico e professor de educação física entrou de penetra e como
vencedor tinha que correr pela cidade vestido com um macacão de coelho em
publico.
ERIC
– Nunca vou me esquecer de termos vistos a Nina pelada e ficamos completamente
paralisados.
THOMAS
– Que corpão. E foi justamente por isso que o Frank se descongelou e tomou umas
porradas do namorada da Nina, o Tommy.
JERRY
– Deixe-me perguntar uma coisa. O que aconteceu com Frank depois que eu me
mudei novamente.
ERIC
– Putz. Eu nem sei. A gente se cansou de ficar perseguindo e conquistando as
garotas mais velhas, e cada um seguiu seu próprio caminho.
THOMAS
– A ultima coisa que eu ouvi dele é que ele tinha fugido ao Brasil a fim de
tirar longas férias e pegar umas prostitutas.
JERRY
– Eu estive por lá recentemente e por coincidência...
THOMAS
– O que? O que aconteceu?
JERRY
– Eu soube que ele abriu um pensionato universitário só para espionar as...
ERIC
– Tá a gente entendeu e conta mais.
JERRY
– Bom, aconteceu uma tragédia mal explicada que se sabe é ter envolvido: ele,
dois acadêmicos e um cachorro sem um olho.
THOMAS
– Nossa que bizarro.
FIM
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Casamento Ateu
“Casamento Ateu”
(23/01/2015
– sexta feira)
Escrito
por Robson Nakazato
Em um
ambiente grande encontram se muitas pessoas sentadas em bancos de igreja para
celebrar um casamento ateu. A celebração acontece num cartório e no lugar do
padre encontra-se um filósofo.
FILÓSOFO
– Senhoras, Senhores e Jovens. Estamos aqui neste lugar para celebrar a união
destas duas pessoas e de suas famílias. Diante de todos os presentes aqui estão
a testemunhas: os padrinhos e convidados dos noivos agnósticos - Charles e Patrícia.
Como esta celebração não exige uma divindade superior podemos iniciar o matrimônio.
Peço para que todos estejam ajoelhados e aplaudamos para iniciar a união com
sorte.
Todos
se ajoelham e dão aplausos por um minuto. O Filósofo pega o microfone apontando
para Charles e aponta seu dedo indicador na testa dele.
FILÓSOFO – Charles repita
tudo o que eu disser e olhe diretamente para os olhos de Patrícia. Eu Charles
Neto...
CHARLES – Eu Charles
Neto...
FILÓSOFO – Prometo
jurando por todo universo para você Patrícia...
CHARLES – Prometo
jurando por todo universo para você Patrícia...
FILÓSOFO – Amá-la,
respeitá-la e me responsabilizar por todas as ações e atitudes futuras.
CHARLES – Amá-la,
respeitá-la, e me responsabilizar por todas as ações e atitudes futuras.
FILÓSOFO – Até a chegada
da morte.
CHARLES – Até a chegada
da morte.
Filósofo
tira o dedo indicador na testa do Charles. Depois o Filósofo pega o microfone apontando
para Patrícia e aponta seu dedo indicador na testa dela.
FILÓSOFO – Patrícia
repita tudo novamente e olhe diretamente nos olhos do Charles. Eu Patrícia
Falcão...
PATRÍCIA – Eu Patrícia
Falcão...
FILÓSOFO – Prometo
jurando por todo universo para você Charles...
PATRÍCIA – Prometo
jurando por todo universo para você Charles...
FILÓSOFO – Amá-lo,
respeitá-lo, e me responsabilizar por todas as ações e atitudes futuras.
PATRÍCIA – Amá-lo,
respeitá-lo, e me responsabilizar por todas as ações e atitudes futuras.
FILÓSOFO – Até a chegada
da morte.
PATRÍCIA – Até a chegada
da morte.
O Filósofo
tira o dedo na testa de Patrícia. Começa falar no microfone.
FILÓSOFO
– Durante toda esta oração não houve algum tipo de desrespeito a alguma religião
e sem subestimar a crença de cada um. Assim, alguém mais aqui que foi contra
este casamento, não disse nada neste momento e calou-se até agora. Portanto eu
oficializo este casamento e união das famílias Neto e Falcão. Podem se beijar.
Os
noivos se beijam para celebrar suas uniões. Todos se levantam, aplaudem e se
fazem cumprimento entre familiares.
FILÓSOFO
– Antes de encerar este momento quero avisá-los que este cartório não é apenas
um local oficializador de registros.
As
paredes atrás do Filósofo se movem de lado, os bancos são retirados por
funcionários. Rapidamente chegam vários garçons, animadores de festas e
empregados carregando mesas, cadeiras, banquete e qualquer coisa adequada festa
(confetes, luzes, música e etc). Até que o Filósofo troca de roupa vira o Mestre
de Cerimônia com uma cartola e diz em grego:
MESTRE
de CERIMÔNIA – Férte sto tsírko (“Que comece o circo!”)
FIM
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
TOPs 10 - Melhores Filmes de 2014
2014 está prestes a terminar e para mim foi ano especial de
se ver muitos e MUITOS filmes, especialmente lançamentos que foram excelentes.
Para comemorar essa especialidade vou listar os TOPs 10-Melhores Filmes
de 2014. A seleção funcionou da seguinte forma: são duas listas com 10 filmes cada e
são divididas entre “alternativos” e “blockbusters”.
ALTERNATIVOS: são películas de arte
não muito atrativas ao público.
BLOCKBUSTERS: são filmes
populares que obtiveram muito marketing.
Comentem, compartilhem ou ate compartilhem as listas. Então vamos começar:
Desejo a vida de todos, tudo de bom a melhor.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
Olho de Cão
“Olho de Cão”
Escrito por Robson Nakazato
(29/09/2014 – Segunda feira)
AVISO do AUTOR:
– Antes
de começar a ler o texto abaixo; a leitura deste roteiro exigirá imaginação do
leitor, ou seja, enquanto estiver lendo imaginem como um filme. A narrativa é em
“primeira pessoa”, o espectador vê toda ação ocorrer através de algum ponto de
vista que na maioria dos casos é por uma câmera segurada por alguém. Exemplos
de filmes que utilizaram essa técnica de primeira pessoa são: A Bruxa de Blair
(1999), Cloverfield - O Mostro, (2009), a série Atividade Paranormal e Poder
Sem Limites (2012).
– Esta
crônica é uma homenagem à escritora russo-brasileira Tatiana Belinky, famosa
por suas histórias com finais abertos e que fazem o leitor utilizar a
imaginação de como será o fim da dela.
Abre
a cena com imagem em preto-e-branco. Aparece um jardim gramado fresco, em um
dia ensolarado, até que surge um líquido escorrendo ao lado e uma pessoa com olhar surpreso, vendo
diretamente do ponto de vista do leitor. Este chega mais perto para olhar melhor
e faz uma cara como se tivesse feito uma cagada. E aí resolve chamar uma
garota.
ANTONIO
– Letícia! Letícia vem que cá ver!
LETÍCIA
– Ai Meu Deus do céu. (Bota as mãos na boca e no nariz) Nós dois matamos o
cachorro do dono.
ANTONIO –
Não. Não apenas um cão do síndico. Matamos um cachorro de uma espécie rara, que
parece um filhote leão, que é na verdade um cruzamento entre pastor alemão e poodle.
E esse cão fazia as pessoas de fora da casa cagarem de medo.
LETÍCIA
– O que vamos fazer?
ANTONIO
– O que vamos fazer com esse gramado que tá todo borrado de sangue. E ainda o dono
vai chegar hoje. Portanto eu sinceramente não sei que devemos fazer.
LETÍCIA
– Olha vamos o seguinte: tiraremos esse corpo daí e depois daremos um jeito no
gramado.
ANTONIO
– Ok.
Letícia
se prepara para levantar o cão. Antonio a interrompe e pede para fazer algo
antes.
ANTONIO
– Espera. Antes, feche os olhos do cachorro.
LETÍCIA
– Não. Não consigo. Olhe para os olhos azuis dele são tão cristalinos que não
consigo tocá-los.
ANTONIO
– Bom, se você tá com essa frescura, eu fecho para não perdermos tempo.
Antonio
cobre os olhos do cão e assim tudo fica escuro. Porém imediatamente a imagem se
abre sob a perspectiva do cão. Antonio e Letícia se preparam para levantar o
cadáver, mas percebem que o olho do animal se abriu.
LETÍCIA
– Antonio! O olho dele abriu sozinho!
Antonio
fecha novamente os olhos e a imagem fica escura. E mais uma vez o olho se abre
e vemos Antonio e Letícia carregando o corpo e depois o deixam no chão. Os dois percebem que um dos olhos não
está mais fechado.
ANTONIO
– Cacete desse olho azul cristalino! Letícia, faça o seguinte: pega um pano bem
velho, um jornal e uma daquelas sacolas grandes de compras, tipo aquelas do
Shopping China grandonas. Vamos enrolar o corpo no pano, depois embrulharemos
no jornal, colocamos na sacola e depois enterraremos em um aterro ou lixão.
LETÍCIA
– Aterro sanitário ou lixão?!
ANTONIO
– É a melhor forma de disfarçar o cheiro.
Letícia
fica convencida imediatamente pela ideia de Antonio e vai à busca das coisas
exigidas. Enquanto isso, Antonio tenta se distrair e acalmar sua tensão. Começa
brincar com os olhos azuis cristalinos do cadáver, abrindo e fechando; como se
ele estivesse piscando. Devido essa brincadeira a imagem começa a focar em Antonio,
e assim o olho começa a se mover. Até que a brincadeira faz com que o olho saia
da cabeça do cachorro, fazendo com que Antonio se assuste.
ANTONIO
– O caralho!
LETICIA
– O que tá acontecendo aí?
ANTONIO
– Nada!
Enquanto
os dois estavam falando, o olho saiu rapidamente do campo de visão do Antonio,
deixando ele ainda mais nervoso depois de sua idiotice. O olho saiu rolando até
ficar embaixo de um arbusto, de onde é possível ver amplamente toda a cena.
ANTONIO
– Puta que pariu. Cadê o maldito olho azul?
Antonio
ouve Letícia se aproximando e tenta achar alguma coisa capaz de tapar o buraco no
crânio canino. Então revolve pegar a própria bolinha pula-pula que tinha o
desenho de um olho. Ele a enfiou fundo, dando uma cotovelada como se fosse um martelo
até que a bolinha ficou presa. Ele conseguiu fazer tudo isso antes da chegada
de Letícia.
LETICIA
– Nossa você conseguiu deixar de olho fechado.
ANTONIO
– É. Sou foda.
A
dupla enrola o corpo embrulhando com o jornal. Antes de carregar o cadáver e
levar para o aterro, eles ouvem um barulho de carro chegando e o portão
eletrônico começa a abrir. Desesperadamente tentam encontrar um esconderijo. A
dupla esconde o morto em um baú, trancam-no e depois colocam um pano por cima do
baú. A porta da frente se abre. O dono do cão defunto sai do carro junto com um
gato branco. O dono abre a porta da frente e seu gatinho vai em direção ao
arbusto onde está o olho. Enquanto Antonio e Letícia cumprimentam o patrão, o mascote
felino brinca com olho como se fosse novelo. Quando o dono vai ver o seu gato,
ele fica com olhar surpreso e diz para os inquilinos:
DONO –
Ei! (Virando a cara para os inquilinos) Mas que PORRA é essa?!
Nessa
hora o gato se assusta e joga o olho, que cai em uma poça. Assim a cena fica
escura e apenas se ouve os gritos das três pessoas e miados do gato.
Fim
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
Imóvel ao Fim de Semana
“Imóvel ao
Fim de Semana”
(10/12/2014 – quarta feira)
Escrito por Robson Nakazato
Inicia–se
com a imagem em preto e com uma narração em “off ” (narrador em primeira pessoa
que relata sem aparecer em cena).
ACADÊMICO – Desde que sai da
minha terra natal, Campo Grande, passei a morar em El Dourado por causa da
faculdade. Minha vida passou a se tornar uma rotina sistemática; mesmo que eu
volte para casa nos finais de semana, ,inha vida se tornou igual àqueles
videoclipes no qual o cantor fica numa posição de estatueta reta e o fundo é
todo movimentado, na qual o mundo está cada vez mais com pouco tempo. Para
entender um pouco do que eu estou falando veja o clipe de Phil Collins (http://www.youtube.com/watch?v=ZQJh-oU0M9Y).
O Acadêmico
acorda e ele vê na sua mente a sua rotina diária da semana. Ele permanece reto,
em sua posição e o fundo se movimenta de forma frenética, o ambiente se altera
com o decorrer de cada dia; até chegar sexta–feira com o Acadêmico sentado em
um banco, depois ele se levanta, começa a caminhar e fala novamente com leitor.
ACADÊMICO – Isso mesmo, até os
sábados e domingos não servem para “quebrar a rotina”; se fosse ao contrário eu
não percorreria 230 km de distância, não perderia exatamente 7 horas na estrada.
E ainda mais, às vezes existem obstáculos nos finais de semana. Acompanhem a
minha agenda:
Ø
Sextas–feiras:
– Enfrentar 3:30h de estrada pela única empresa
de ônibus com o trecho (El-Dorado - Campo Grande), ou seja, você deve se
adequar aos horários definidos pela empresa.
Ø
Sábado:
– Ajudar a fazer o almoço espetáculo (almoços
trabalhosos) ;
– Limpar
o quintal;
– Jogar vôlei de tarde;
– E a
melhor parte do dia: jantar em restaurante.
Ø
Domingo:
– As vezes tenho que ajudar na realização de alguns eventos;
- E o pior: ver o que final de semana acabou
e não consegui aproveitar e nem descansar;
– E nesse dia ainda tenho que voltar El-Dorado e enfrentar mais uma semana que se
inicia.
No dia
seguinte, o Acadêmico levanta da sua cama, vai para a universidade, encontra um
banco para se sentar e faz perguntas ao leitor:
ACADÊMICO – Mas aí vocês devem
estar se perguntando: “por que eu não me recuso ou simplesmente digo NÃO para
esses afazeres?”. E eu também te pergunto: “é fácil você dizer NÃO para sua
vida?”.
O Acadêmico
se levanta do banco.
ACADÊMICO – Se você é bolsista, por
exemplo, recebe vales ou recursos financeiros para estudar ou trabalhar em
projetos. (O Acadêmico aponta o dedo para esse bolsista do exemplo). Olhem para
aquele Sujeito, é um conhecido, que não possui boas condições de vida; ele é um
acumulador de bolsas, que ninguém sabe quantas ele tem. Vocês acham que ele
diria algum “não” para os projetos que ele faz? Ei Sujeito, chega aí. Me diga
se tem coragem de falar algum “não” para algum projeto que você ganha bolsa?
SUJEITO – Olha devido ao meu
excesso de bolsas e projetos que participo é muito exaustivo para mim. Mas se
eu disser “não” às atividades obrigatórias, corro sérios riscos de perder tudo.
ACADÊMICO – Se sua situação
financeira fosse oposta, se seus pais ralassem e conseguissem te manter aqui. Seria
possível falar algum NÃO a eles?
SUJEITO – Eu penso da seguinte
forma: na situação de negar ajuda no almoço, meu pai diria: “É assim? Ralo para
te por na universidade, te dou oportunidade e é assim que você me agradece?
Pois não é minha obrigação a fazer isso e já que você se acha o dono do próprio
nariz então utilize sua mesada presidencial para pagar suas contas!”. Logo,
apesar de ter coisas que não gosto de fazer, tenho a obrigação de cumprir.
ACADÊMICO – Ok. Muito obrigado.
O Sujeito
sai de cena. Após o Sujeito se retirar o Acadêmico, olha para leitor querendo
lhe dar sermão:
ACADÊMICO – Está vendo? Se você é
acadêmico como eu e acha tão simples dizer “não” para sua vida fora da
faculdade, você é cego com aqueles que lutam por você.
Acadêmico
anda pela cidade e manda seu recado:
ACADÊMICO – A vida sempre é
complicada. O desejo de torná-la boa deve ser encarado com responsabilidades,
caso contrário, faça uma boa ação e repense em todas as suas atitudes e veja
que tem muita gente que gostaria de ter as suas oportunidades.
O Acadêmico
senta em um banco de uma praça e olha diretamente a uma grande imagem de Campo
Grande.
ACADÊMICO – Sabem o que mais
desejo fazer quando vou para lá? Simples! Acordar de manhã; tomar café
tranquilamente; sair e ir para o centro da cidade; comprar alguma bobeira;
cortar o almoço; e deixar a cozinha quieta.
Fim
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