quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Apenas Uma Breve Parada.

Olá leitor(es)

Hoje é dia 19 de fevereiro, quase 7 meses depois que o blog Pulp Alter surgiu. Conforme eu tinha dito na primeira postagem, "Apresentação Introdutória", o meu planejamento era durar apenas 6 meses e afirmei que os leitores irão definir o destino do blog.
Portanto leitores chegou a hora de vocês decidirem o futuro do blog. Se a demanda do público querer mais eu estarei motivado a continuar; mas caso ao contrário, pelo menos eu tentei e foi uma tentiva muito orgulhosa. Então se você quiser que Pulp Alter continue comente nos comentários abaixo desta postagem, escreva mensagens na página do Facebook (https://www.facebook.com/pages/Pulp-Alter/613337665432283?ref=hl) ou até mande hashtag como hashtag (#PulpAlterContinue).

Basicamente é tudo isso que tenho a falar. Então leitores que acompanham desde a criação ou até estão conhecendo agora, esta será tarefa de vocês daqui pra frente com futuro do blog Pulp Alter está em suas mãos.

Abraços

A Fórmula da Série

“A Fórmula da Série”
(04/11/2013 – segunda feira)


NOTA do AUTOR: nesta publicação será um pouco diferente, pois este possui o formato escrito como um roteiro comum de filme ou série. Falando em seriado, esta história pode ser bem compreendida caso o leitor assista muitas séries de TV. 


Na sala de reuniões da Comissão Nacional da Televisão Brasileira (CNTVBr) encontram-se vários roteiristas de todos os meios de entretenimento, como os de: novelas, reality shows, esquetes de humor e etc. Todos estão trocando ideias até a chegada do Diretor da empresa.

DIRETOR
                       - Bem,  bom dia a todos e obrigado por virem nesta reunião. Eu pedi a todos vocês virem aqui porque este país precisa de algo novo!
ROTERISTA 1
                       - E o que seria Diretor?
DIRETOR
                       - Bem, é que ultimamente nossa empresa comprou muitos direitos autorais de exibição de alguns programas da TV de fora. Como: BBB, Ídolos, Master Chef e The Voice. E aí que eu lhes pergunto “qual é principal novidade do momento das TVs de hoje?”

Todos ficam em dúvida, olhando para cima, pondo a caneta/lápis perto da boca como forma de pensamento e alguns conversam  baixinho.

DIRETOR
                       - Hã...para não perdemos tempo eu digo: séries de TV com episódios interligados.
ROTERISTA 2
                      - Espera aí seu Diretor, o senhor quis dizer novelas?
DIRETOR
                      - Não! Nunca! Série de TV interligada, sabe aquela no estilo americana.  Sem essas tramas de: “quem matou quem”, “fulano traiu com seu corno”, “muito menos vilão de coisa mexicana”. 
ROTERISTA 3
 - Só um minutinho senhor Diretor.
DIRETOR
                     - O que foi Bráulio? 
ROTERISTA 3
                     - Como é essa série de TV no estilo americano que o senhor está falando?
DIRETOR
                     - Aquelas que seguem uma fórmula específica. Se vocês notarem, por exemplo, depois de 24 Horas e Lost, muitas séries vieram com esta mesma fórmula. Eu inclusive escrevi algumas coisinhas obrigatórias que deve ter.
ROTERISTA 4
                     - Ah que bom! Então fale aí Diretor.
DIRETOR
                     - A trama deve girar em torno de: pessoas unidas por uma determinada causa, sempre haver um personagem de origem asiática, ter criança ou adolescente no meio, alguém muito estranho sinistro guardando algum segredo consigo; e o protagonista possui algum passado não tão bom e enfrentar a situação atual como uma oportunidade de se ver melhor.

Depois que todos ouviram o Diretor os roteiristas papearam um pouquinho sobre a idéia, balançaram suas cabeças positivamente e bateram palmas.
ROTERISTA 5
                     - Mas eu ainda tenho uma dúvida.
DIRETOR
                     - O que foi René?
ROTERISTA 5
                     - Por acaso esta série vai ter putaria?  Sabe...vai ter cenas de sexo, homens mostrando a bunda e as mulheres os peitos?
DIRETOR
                     - Pode até ter um pouquinho de tetas. Podemos até nos igualar as séries da HBO ou Show Time, para o público poder ver e gozar.                    
ROTERISTA 3
- Desculpe aí só um minutinho senhor!
DIRETOR
- O que foi Bráulio?
ROTERISTA 3
- O senhor havia dito que queria uma série de TV no estilo americana, certo?
DIRETOR
- Isso.
ROTERISTA 3
- Que tal a gente inserir nesta série um problema atual e reflexivo ao país.
DIRETOR
- Tai alguém que tem uma brilhante idéia. Conta aí.
ROTERISTA 3
- Se a gente fazer uma série parecido com The Walking Dead. Só que ao invés de zumbis vamos colocar o apocalypse fosse: o retorno da inflação!
DIRETOR
- Continue sua história.
ROTERISTA 3
- Bom se passa em algum tempo depois da Copa do Mundo, Olimpíadas no Brasil e alguns eventos de encontros universais terem sido fracassados aqui. Com isso os países do mundo perceberam a nossa verdadeira face maquiada, e eles decidem abandonar as parcerias financeira e econômica. Com isso todos os tipos de produtos daqui aumentaram seus preços e assim retornou aquela inflação dos anos oitenta.
ROTERISTA 1
- E com a inflação, o governo irá fuder o povão deixando-o emputecido. E aí a população que tem a cultura do “foda-se” acabam quebrando tudo em sua volta.
ROTERISTA 2
- Assim os políticos recebem proteção da polícia, do exército, da marinha e aeronáutica brasileira; deixando a população de lado. Assim temos nossos personagens que estão à procura destes safados a fim de buscar uma vida melhor.

Todos estão alegres pela ideia brilhante. Até que alguém interrompe chamando o Diretor.

ROTERISTA 4
- Diretor só um esclarecimento.
DIRETOR
-          Que foi?
ROTERISTA 4
- O que tá mesmo bombando não são séries de TV e sim os serviços de streaming”.
DIRETOR
-          Quê?
ROTERISTA 4
-           Streaming. Netflix. Crackle. Serviços de internet com pacote de opção “Play”.

Todos ficam em silêncio. Ninguém reage. Roterista 4 tenta entender o que aconteceu

ROTERISTA 4
- Gente. Que foi? Por que todo mundo tá parado aí?
ROTERISTA 5
- Estamos esperando...
ROTERISTA 4
- Quem?
DIRETOR
- O escritor que criou a gente e nossa história. No momento ele está em crise de criatividade para nossa finalização.
ROTERISTA 3
- Lembra o Tele Curso 2000 que tinha um personagem chamado Machado que era escritor e trabalhador industrial. Na maioria das histórias dele eram incompletas e ficavam congeladas.
ROTERISTA 1
- E aí aparecia um homem perguntando ao espectador como iria acabar.
ROTERISTA 5
- É. Acho que ele tá chegando...

O Diretor e os roteiristas saem de cena. Aparecem dois homens: branco e negro sentados numa mesa com uma máquina de escrever. Aí viram a cabeça para conversar com leitor.

MACHADO (Theo Werneck)
- E você tem alguma ideia para mim?
PERSONAGEM DO TELECURSO (Acaiabe)
- (Risos) É faz muito tempo que nós não vemos. Já que você conseguiu chegar até aqui pode fazer um pequeno favor. Deixe um pouco seu celular de lado e vamos exercitar a imaginação para esta história.
MACHADO (Theo Werneck)
- Se você sabe como terminar escreva aqui na parte dos comentários. Foi bom nos reencontrar. Tchau.
PERSONAGEM DO TELECURSO (Acaiabe)
- Até a próxima.


FIM

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Festa de Reencontro




“Festa de Reencontro”
(23/01/2015 – Sexta feira)
Escrito por Robson Nakazato


NOTA do AUTOR: antes de vocês lerem uma pergunta: Vocês já ouviram falar, lembram e/ou assistiram o desenho “Os Três Amigos e Jerry”? Caso você não sabia de nada sobre o programa sugiro que você pesquise, pois esta publicação tende a ser um pouco nostálgica.


Em um baile de reencontro de ex-alunos do ginásio de um colégio americanos três antigos amigos se encontram.

JERRY – Eric. Thomas.
ERIC e THOMAS – Jerry!
JERRY – Nossa! Quanto tempo que a gente não se vê desde 99 junto com o Frank.
ERIC – Puxa é mesmo.
THOMAS – Que memória você tem Jerry.
JERRY – Vamos pegar uma mesa vazia.

Os três se sentam em uma mesa e começam a falar sobre suas vidas.

JERRY – Então onde vocês estiveram depois que eu tinha me mudado em 99 novamente.
THOMAS – Bem eu decide ficar porque meu pai adquiriu terras agrícolas de produção para poder pagar as minhas despesas de faculdade de fora.
JERRY – Nossa que bacana.
THOMAS – Eu não diria isso Jerry.
JERRY – Por quê?
THOMAS – Porque naquela época vivia numa rotina que seguia da seguinte forma: de segunda a sexta eu cursava minha faculdade; nos finais de semana voltava aqui para ajudar meus pais para realizar os serviços internos; e no domingo a noite voltava para meu curso para tudo novamente. Inclusive tinha o Frank que me chamava para... Bem você sabe.
JERRY – Saco, hein.
THOMAS – É. Nem me fale.
JERRY – E Eric?
ERIC – Bem. Eu entrei num time de futebol. Joguei por quatro anos até conseguir uma bolsa de estudos. Fiz educação física e hoje sou “couching” de meninos desanimados e gordos pela globalização. Sabia que o Frank entrou junto comigo mas foi expulso do time por invadir o banheiro feminino.
JERRY – Que cagada!
ERIC – Mas e você Jerry? O que você andou fazendo desde que mudou novamente em 1999?
THOMAS – Pera ai por que você tinha se mudado mesmo?
JERRY – Bem...Lembra uma vez quando eu fui caçar borboleta e peguei o inseto pousada na bunda da professora enquanto estava tomando. Tenho até uma foto aqui (Jerry tira uma foto e mostra para os amigos).
ERIC e THOMAS – Puta que pariu! É mesmo.

 

THOMAS – Às vezes eu suspeito que ela seja um traveco.
JERRY – Bom depois disso, a professora recomendou ao diretor que eu fosse expulso da escola. E também minha ficha estava escrito todas as ações e atitudes dos planos cometidos por nos e o Frank em tentar conquistar as garotas acabou fazendo com que meus pais tivessem a ideia de nos mudar novamente.
ERIC – E você por acaso se formou em administração, certo?
JERRY – Correto, administração empreendedora. Como você descobriu?
THOMAS – Ora, você sempre tinha ideias inovadoras pra gente e o Frank, mesmo que ele não quisesse você no grupo. Lembra naquele dia que você roubou uma prova fodida dessa professora; e o Frank se achando que iria bem e se dar melhor sem nós três substituindo por um papagaio de pirata.
JERRY- É... Mas pra mim tive um momento mais marcante.
ERIC – Qual foi?
JERRY – Quando nossos pais fizeram uma mini olimpíadas interno. Meu pai que era um escroto técnico e professor de educação física entrou de penetra e como vencedor tinha que correr pela cidade vestido com um macacão de coelho em publico.
ERIC – Nunca vou me esquecer de termos vistos a Nina pelada e ficamos completamente paralisados.
THOMAS – Que corpão. E foi justamente por isso que o Frank se descongelou e tomou umas porradas do namorada da Nina, o Tommy.
JERRY – Deixe-me perguntar uma coisa. O que aconteceu com Frank depois que eu me mudei novamente.
ERIC – Putz. Eu nem sei. A gente se cansou de ficar perseguindo e conquistando as garotas mais velhas, e cada um seguiu seu próprio caminho.
THOMAS – A ultima coisa que eu ouvi dele é que ele tinha fugido ao Brasil a fim de tirar longas férias e pegar umas prostitutas.
JERRY – Eu estive por lá recentemente e por coincidência...
THOMAS – O que? O que aconteceu?
JERRY – Eu soube que ele abriu um pensionato universitário só para espionar as...
ERIC – Tá a gente entendeu e conta mais.
JERRY – Bom, aconteceu uma tragédia mal explicada que se sabe é ter envolvido: ele, dois acadêmicos e um cachorro sem um olho.
THOMAS – Nossa que bizarro.



FIM

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Casamento Ateu




“Casamento Ateu”
(23/01/2015 – sexta feira)
Escrito por Robson Nakazato


Em um ambiente grande encontram se muitas pessoas sentadas em bancos de igreja para celebrar um casamento ateu. A celebração acontece num cartório e no lugar do padre encontra-se um filósofo.

FILÓSOFO – Senhoras, Senhores e Jovens. Estamos aqui neste lugar para celebrar a união destas duas pessoas e de suas famílias. Diante de todos os presentes aqui estão a testemunhas: os padrinhos e convidados dos noivos agnósticos - Charles e Patrícia. Como esta celebração não exige uma divindade superior podemos iniciar o matrimônio. Peço para que todos estejam ajoelhados e aplaudamos para iniciar a união com sorte.

Todos se ajoelham e dão aplausos por um minuto. O Filósofo pega o microfone apontando para Charles e aponta seu dedo indicador na testa dele.

FILÓSOFO – Charles repita tudo o que eu disser e olhe diretamente para os olhos de Patrícia. Eu Charles Neto...
CHARLES – Eu Charles Neto...
FILÓSOFO – Prometo jurando por todo universo para você Patrícia...
CHARLES – Prometo jurando por todo universo para você Patrícia...
FILÓSOFO – Amá-la, respeitá-la e me responsabilizar por todas as ações e atitudes futuras.
CHARLES – Amá-la, respeitá-la, e me responsabilizar por todas as ações e atitudes futuras.
FILÓSOFO – Até a chegada da morte.
CHARLES – Até a chegada da morte.

Filósofo tira o dedo indicador na testa do Charles. Depois o Filósofo pega o microfone apontando para Patrícia e aponta seu dedo indicador na testa dela.
                                                                                             
FILÓSOFO – Patrícia repita tudo novamente e olhe diretamente nos olhos do Charles. Eu Patrícia Falcão...
PATRÍCIA – Eu Patrícia Falcão...
FILÓSOFO – Prometo jurando por todo universo para você Charles...
PATRÍCIA – Prometo jurando por todo universo para você Charles...
FILÓSOFO – Amá-lo, respeitá-lo, e me responsabilizar por todas as ações e atitudes futuras.
PATRÍCIA – Amá-lo, respeitá-lo, e me responsabilizar por todas as ações e atitudes futuras.
FILÓSOFO – Até a chegada da morte.
PATRÍCIA – Até a chegada da morte.

O Filósofo tira o dedo na testa de Patrícia. Começa falar no microfone.

FILÓSOFO – Durante toda esta oração não houve algum tipo de desrespeito a alguma religião e sem subestimar a crença de cada um. Assim, alguém mais aqui que foi contra este casamento, não disse nada neste momento e calou-se até agora. Portanto eu oficializo este casamento e união das famílias Neto e Falcão. Podem se beijar.

Os noivos se beijam para celebrar suas uniões. Todos se levantam, aplaudem e se fazem cumprimento entre familiares.

FILÓSOFO – Antes de encerar este momento quero avisá-los que este cartório não é apenas um local oficializador de registros.

As paredes atrás do Filósofo se movem de lado, os bancos são retirados por funcionários. Rapidamente chegam vários garçons, animadores de festas e empregados carregando mesas, cadeiras, banquete e qualquer coisa adequada festa (confetes, luzes, música e etc). Até que o Filósofo troca de roupa vira o Mestre de Cerimônia com uma cartola e diz em grego:

MESTRE de CERIMÔNIA – Férte sto tsírko (“Que comece o circo!”)



FIM

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

TOPs 10 - Melhores Filmes de 2014

2014 está prestes a terminar e para mim foi ano especial de se ver muitos e MUITOS filmes, especialmente lançamentos que foram excelentes.
Para comemorar essa especialidade vou listar os TOPs 10-Melhores Filmes de 2014. A seleção funcionou da seguinte forma: são duas listas com 10 filmes cada e são divididas entre “alternativos” e “blockbusters”.
ALTERNATIVOS: são películas de arte não muito atrativas ao público.
BLOCKBUSTERS: são filmes populares que obtiveram muito marketing.

Comentem, compartilhem ou ate compartilhem as listas. Então vamos começar: 




Desejo a vida de todos, tudo de bom a melhor.


segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Olho de Cão



Olho de Cão”

Escrito por Robson Nakazato
(29/09/2014 – Segunda feira)

AVISO do AUTOR:
– Antes de começar a ler o texto abaixo; a leitura deste roteiro exigirá imaginação do leitor, ou seja, enquanto estiver lendo imaginem como um filme. A narrativa é em “primeira pessoa”, o espectador vê toda ação ocorrer através de algum ponto de vista que na maioria dos casos é por uma câmera segurada por alguém. Exemplos de filmes que utilizaram essa técnica de primeira pessoa são: A Bruxa de Blair (1999), Cloverfield - O Mostro, (2009), a série Atividade Paranormal e Poder Sem Limites (2012).
– Esta crônica é uma homenagem à escritora russo-brasileira Tatiana Belinky, famosa por suas histórias com finais abertos e que fazem o leitor utilizar a imaginação de como será o fim da dela.


Abre a cena com imagem em preto-e-branco. Aparece um jardim gramado fresco, em um dia ensolarado, até que surge um líquido escorrendo ao lado e  uma pessoa com olhar surpreso, vendo diretamente do ponto de vista do leitor. Este chega mais perto para olhar melhor e faz uma cara como se tivesse feito uma cagada. E aí resolve chamar uma garota.

ANTONIO – Letícia! Letícia vem que cá ver! 
LETÍCIA – Ai Meu Deus do céu. (Bota as mãos na boca e no nariz) Nós dois matamos o cachorro do dono.
ANTONIO – Não. Não apenas um cão do síndico. Matamos um cachorro de uma espécie rara, que parece um filhote leão, que é na verdade um cruzamento entre pastor alemão e poodle. E esse cão fazia as pessoas de fora da casa cagarem de medo.
LETÍCIA – O que vamos fazer?
ANTONIO – O que vamos fazer com esse gramado que tá todo borrado de sangue. E ainda o dono vai chegar hoje. Portanto eu sinceramente não sei que devemos fazer.
LETÍCIA – Olha vamos o seguinte: tiraremos esse corpo daí e depois daremos um jeito no gramado.
ANTONIO – Ok.

Letícia se prepara para levantar o cão. Antonio a interrompe e pede para fazer algo antes.

ANTONIO – Espera. Antes, feche os olhos do cachorro.
LETÍCIA – Não. Não consigo. Olhe para os olhos azuis dele são tão cristalinos que não consigo tocá-los.
ANTONIO – Bom, se você tá com essa frescura, eu fecho para não perdermos tempo.

Antonio cobre os olhos do cão e assim tudo fica escuro. Porém imediatamente a imagem se abre sob a perspectiva do cão. Antonio e Letícia se preparam para levantar o cadáver, mas percebem que o olho do animal se abriu.

LETÍCIA – Antonio! O olho dele abriu sozinho!

Antonio fecha novamente os olhos e a imagem fica escura. E mais uma vez o olho se abre e vemos Antonio e Letícia carregando o corpo e depois o deixam  no chão. Os dois percebem que um dos olhos não está mais fechado.

ANTONIO – Cacete desse olho azul cristalino! Letícia, faça o seguinte: pega um pano bem velho, um jornal e uma daquelas sacolas grandes de compras, tipo aquelas do Shopping China grandonas. Vamos enrolar o corpo no pano, depois embrulharemos no jornal, colocamos na sacola e depois enterraremos em um aterro ou lixão.
LETÍCIA – Aterro sanitário ou lixão?!
ANTONIO – É a melhor forma de disfarçar o cheiro.

Letícia fica convencida imediatamente pela ideia de Antonio e vai à busca das coisas exigidas. Enquanto isso, Antonio tenta se distrair e acalmar sua tensão. Começa brincar com os olhos azuis cristalinos do cadáver, abrindo e fechando; como se ele estivesse piscando. Devido essa brincadeira a imagem começa a focar em Antonio, e assim o olho começa a se mover. Até que a brincadeira faz com que o olho saia da cabeça do cachorro, fazendo com que Antonio se assuste.

ANTONIO – O caralho!
LETICIA – O que tá acontecendo aí?
ANTONIO – Nada!

Enquanto os dois estavam falando, o olho saiu rapidamente do campo de visão do Antonio, deixando ele ainda mais nervoso depois de sua idiotice. O olho saiu rolando até ficar embaixo de um arbusto, de onde é possível ver amplamente toda a cena.

ANTONIO – Puta que pariu. Cadê o maldito olho azul?

Antonio ouve Letícia se aproximando e tenta achar alguma coisa capaz de tapar o buraco no crânio canino. Então revolve pegar a própria bolinha pula-pula que tinha o desenho de um olho. Ele a enfiou fundo, dando uma cotovelada como se fosse um martelo até que a bolinha ficou presa. Ele conseguiu fazer tudo isso antes da chegada de Letícia.

LETICIA – Nossa você conseguiu deixar de olho fechado.
ANTONIO – É. Sou foda.

A dupla enrola o corpo embrulhando com o jornal. Antes de carregar o cadáver e levar para o aterro, eles ouvem um barulho de carro chegando e o portão eletrônico começa a abrir. Desesperadamente tentam encontrar um esconderijo. A dupla esconde o morto em um baú, trancam-no e depois colocam um pano por cima do baú. A porta da frente se abre. O dono do cão defunto sai do carro junto com um gato branco. O dono abre a porta da frente e seu gatinho vai em direção ao arbusto onde está o olho. Enquanto Antonio e Letícia cumprimentam o patrão, o mascote felino brinca com olho como se fosse novelo. Quando o dono vai ver o seu gato, ele fica com olhar surpreso e diz para os inquilinos:

DONO – Ei! (Virando a cara para os inquilinos) Mas que PORRA é essa?!

Nessa hora o gato se assusta e joga o olho, que cai em uma poça. Assim a cena fica escura e apenas se ouve os gritos das três pessoas e miados do gato.


Fim

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Imóvel ao Fim de Semana



“Imóvel ao Fim de Semana”
(10/12/2014 – quarta feira)
Escrito por Robson Nakazato


Inicia–se com a imagem em preto e com uma narração em “off ” (narrador em primeira pessoa que relata sem aparecer em cena).

ACADÊMICO – Desde que sai da minha terra natal, Campo Grande, passei a morar em El Dourado por causa da faculdade. Minha vida passou a se tornar uma rotina sistemática; mesmo que eu volte para casa nos finais de semana, ,inha vida se tornou igual àqueles videoclipes no qual o cantor fica numa posição de estatueta reta e o fundo é todo movimentado, na qual o mundo está cada vez mais com pouco tempo. Para entender um pouco do que eu estou falando veja o clipe de Phil Collins (http://www.youtube.com/watch?v=ZQJh-oU0M9Y).

O Acadêmico acorda e ele vê na sua mente a sua rotina diária da semana. Ele permanece reto, em sua posição e o fundo se movimenta de forma frenética, o ambiente se altera com o decorrer de cada dia; até chegar sexta–feira com o Acadêmico sentado em um banco, depois ele se levanta, começa a caminhar e fala novamente com leitor.

ACADÊMICO – Isso mesmo, até os sábados e domingos não servem para “quebrar a rotina”; se fosse ao contrário eu não percorreria 230 km de distância, não perderia exatamente 7 horas na estrada. E ainda mais, às vezes existem obstáculos nos finais de semana. Acompanhem a minha agenda:
Ø  Sextas–feiras:
– Enfrentar 3:30h de estrada pela única empresa de ônibus com o trecho (El-Dorado - Campo Grande), ou seja, você deve se adequar aos horários definidos pela empresa.
Ø  Sábado:
–  Ajudar a fazer o almoço espetáculo (almoços trabalhosos) ;
–  Limpar o quintal;
–  Jogar vôlei de tarde;
–  E a melhor parte do dia: jantar em restaurante.
Ø  Domingo:
– As vezes tenho que ajudar  na realização de alguns eventos;
- E o pior: ver o que final de semana acabou e não consegui aproveitar e nem descansar;
– E nesse dia ainda tenho que voltar  El-Dorado e enfrentar mais uma semana que se inicia.

No dia seguinte, o Acadêmico levanta da sua cama, vai para a universidade, encontra um banco para se sentar e faz perguntas ao leitor:

ACADÊMICO – Mas aí vocês devem estar se perguntando: “por que eu não me recuso ou simplesmente digo NÃO para esses afazeres?”. E eu também te pergunto: “é fácil você dizer NÃO para sua vida?”.

O Acadêmico se levanta do banco.

ACADÊMICO – Se você é bolsista, por exemplo, recebe vales ou recursos financeiros para estudar ou trabalhar em projetos. (O Acadêmico aponta o dedo para esse bolsista do exemplo). Olhem para aquele Sujeito, é um conhecido, que não possui boas condições de vida; ele é um acumulador de bolsas, que ninguém sabe quantas ele tem. Vocês acham que ele diria algum “não” para os projetos que ele faz? Ei Sujeito, chega aí. Me diga se tem coragem de falar algum “não” para algum projeto que você ganha bolsa?
SUJEITO – Olha devido ao meu excesso de bolsas e projetos que participo é muito exaustivo para mim. Mas se eu disser “não” às atividades obrigatórias, corro sérios riscos de perder tudo.
ACADÊMICO – Se sua situação financeira fosse oposta, se seus pais ralassem e conseguissem te manter aqui. Seria possível falar algum NÃO a eles?
SUJEITO – Eu penso da seguinte forma: na situação de negar ajuda no almoço, meu pai diria: “É assim? Ralo para te por na universidade, te dou oportunidade e é assim que você me agradece? Pois não é minha obrigação a fazer isso e já que você se acha o dono do próprio nariz então utilize sua mesada presidencial para pagar suas contas!”. Logo, apesar de ter coisas que não gosto de fazer, tenho a obrigação de cumprir.
ACADÊMICO – Ok. Muito obrigado.

O Sujeito sai de cena. Após o Sujeito se retirar o Acadêmico, olha para leitor querendo lhe dar sermão:

ACADÊMICO – Está vendo? Se você é acadêmico como eu e acha tão simples dizer “não” para sua vida fora da faculdade, você é cego com aqueles que lutam por você.

Acadêmico anda pela cidade e manda seu recado:

ACADÊMICO – A vida sempre é complicada. O desejo de torná-la boa deve ser encarado com responsabilidades, caso contrário, faça uma boa ação e repense em todas as suas atitudes e veja que tem muita gente que gostaria de ter as suas oportunidades.

O Acadêmico senta em um banco de uma praça e olha diretamente a uma grande imagem de Campo Grande.

ACADÊMICO – Sabem o que mais desejo fazer quando vou para lá? Simples! Acordar de manhã; tomar café tranquilamente; sair e ir para o centro da cidade; comprar alguma bobeira; cortar o almoço; e deixar a cozinha quieta.



Fim