quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Festa de Reencontro




“Festa de Reencontro”
(23/01/2015 – Sexta feira)
Escrito por Robson Nakazato


NOTA do AUTOR: antes de vocês lerem uma pergunta: Vocês já ouviram falar, lembram e/ou assistiram o desenho “Os Três Amigos e Jerry”? Caso você não sabia de nada sobre o programa sugiro que você pesquise, pois esta publicação tende a ser um pouco nostálgica.


Em um baile de reencontro de ex-alunos do ginásio de um colégio americanos três antigos amigos se encontram.

JERRY – Eric. Thomas.
ERIC e THOMAS – Jerry!
JERRY – Nossa! Quanto tempo que a gente não se vê desde 99 junto com o Frank.
ERIC – Puxa é mesmo.
THOMAS – Que memória você tem Jerry.
JERRY – Vamos pegar uma mesa vazia.

Os três se sentam em uma mesa e começam a falar sobre suas vidas.

JERRY – Então onde vocês estiveram depois que eu tinha me mudado em 99 novamente.
THOMAS – Bem eu decide ficar porque meu pai adquiriu terras agrícolas de produção para poder pagar as minhas despesas de faculdade de fora.
JERRY – Nossa que bacana.
THOMAS – Eu não diria isso Jerry.
JERRY – Por quê?
THOMAS – Porque naquela época vivia numa rotina que seguia da seguinte forma: de segunda a sexta eu cursava minha faculdade; nos finais de semana voltava aqui para ajudar meus pais para realizar os serviços internos; e no domingo a noite voltava para meu curso para tudo novamente. Inclusive tinha o Frank que me chamava para... Bem você sabe.
JERRY – Saco, hein.
THOMAS – É. Nem me fale.
JERRY – E Eric?
ERIC – Bem. Eu entrei num time de futebol. Joguei por quatro anos até conseguir uma bolsa de estudos. Fiz educação física e hoje sou “couching” de meninos desanimados e gordos pela globalização. Sabia que o Frank entrou junto comigo mas foi expulso do time por invadir o banheiro feminino.
JERRY – Que cagada!
ERIC – Mas e você Jerry? O que você andou fazendo desde que mudou novamente em 1999?
THOMAS – Pera ai por que você tinha se mudado mesmo?
JERRY – Bem...Lembra uma vez quando eu fui caçar borboleta e peguei o inseto pousada na bunda da professora enquanto estava tomando. Tenho até uma foto aqui (Jerry tira uma foto e mostra para os amigos).
ERIC e THOMAS – Puta que pariu! É mesmo.

 

THOMAS – Às vezes eu suspeito que ela seja um traveco.
JERRY – Bom depois disso, a professora recomendou ao diretor que eu fosse expulso da escola. E também minha ficha estava escrito todas as ações e atitudes dos planos cometidos por nos e o Frank em tentar conquistar as garotas acabou fazendo com que meus pais tivessem a ideia de nos mudar novamente.
ERIC – E você por acaso se formou em administração, certo?
JERRY – Correto, administração empreendedora. Como você descobriu?
THOMAS – Ora, você sempre tinha ideias inovadoras pra gente e o Frank, mesmo que ele não quisesse você no grupo. Lembra naquele dia que você roubou uma prova fodida dessa professora; e o Frank se achando que iria bem e se dar melhor sem nós três substituindo por um papagaio de pirata.
JERRY- É... Mas pra mim tive um momento mais marcante.
ERIC – Qual foi?
JERRY – Quando nossos pais fizeram uma mini olimpíadas interno. Meu pai que era um escroto técnico e professor de educação física entrou de penetra e como vencedor tinha que correr pela cidade vestido com um macacão de coelho em publico.
ERIC – Nunca vou me esquecer de termos vistos a Nina pelada e ficamos completamente paralisados.
THOMAS – Que corpão. E foi justamente por isso que o Frank se descongelou e tomou umas porradas do namorada da Nina, o Tommy.
JERRY – Deixe-me perguntar uma coisa. O que aconteceu com Frank depois que eu me mudei novamente.
ERIC – Putz. Eu nem sei. A gente se cansou de ficar perseguindo e conquistando as garotas mais velhas, e cada um seguiu seu próprio caminho.
THOMAS – A ultima coisa que eu ouvi dele é que ele tinha fugido ao Brasil a fim de tirar longas férias e pegar umas prostitutas.
JERRY – Eu estive por lá recentemente e por coincidência...
THOMAS – O que? O que aconteceu?
JERRY – Eu soube que ele abriu um pensionato universitário só para espionar as...
ERIC – Tá a gente entendeu e conta mais.
JERRY – Bom, aconteceu uma tragédia mal explicada que se sabe é ter envolvido: ele, dois acadêmicos e um cachorro sem um olho.
THOMAS – Nossa que bizarro.



FIM

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Casamento Ateu




“Casamento Ateu”
(23/01/2015 – sexta feira)
Escrito por Robson Nakazato


Em um ambiente grande encontram se muitas pessoas sentadas em bancos de igreja para celebrar um casamento ateu. A celebração acontece num cartório e no lugar do padre encontra-se um filósofo.

FILÓSOFO – Senhoras, Senhores e Jovens. Estamos aqui neste lugar para celebrar a união destas duas pessoas e de suas famílias. Diante de todos os presentes aqui estão a testemunhas: os padrinhos e convidados dos noivos agnósticos - Charles e Patrícia. Como esta celebração não exige uma divindade superior podemos iniciar o matrimônio. Peço para que todos estejam ajoelhados e aplaudamos para iniciar a união com sorte.

Todos se ajoelham e dão aplausos por um minuto. O Filósofo pega o microfone apontando para Charles e aponta seu dedo indicador na testa dele.

FILÓSOFO – Charles repita tudo o que eu disser e olhe diretamente para os olhos de Patrícia. Eu Charles Neto...
CHARLES – Eu Charles Neto...
FILÓSOFO – Prometo jurando por todo universo para você Patrícia...
CHARLES – Prometo jurando por todo universo para você Patrícia...
FILÓSOFO – Amá-la, respeitá-la e me responsabilizar por todas as ações e atitudes futuras.
CHARLES – Amá-la, respeitá-la, e me responsabilizar por todas as ações e atitudes futuras.
FILÓSOFO – Até a chegada da morte.
CHARLES – Até a chegada da morte.

Filósofo tira o dedo indicador na testa do Charles. Depois o Filósofo pega o microfone apontando para Patrícia e aponta seu dedo indicador na testa dela.
                                                                                             
FILÓSOFO – Patrícia repita tudo novamente e olhe diretamente nos olhos do Charles. Eu Patrícia Falcão...
PATRÍCIA – Eu Patrícia Falcão...
FILÓSOFO – Prometo jurando por todo universo para você Charles...
PATRÍCIA – Prometo jurando por todo universo para você Charles...
FILÓSOFO – Amá-lo, respeitá-lo, e me responsabilizar por todas as ações e atitudes futuras.
PATRÍCIA – Amá-lo, respeitá-lo, e me responsabilizar por todas as ações e atitudes futuras.
FILÓSOFO – Até a chegada da morte.
PATRÍCIA – Até a chegada da morte.

O Filósofo tira o dedo na testa de Patrícia. Começa falar no microfone.

FILÓSOFO – Durante toda esta oração não houve algum tipo de desrespeito a alguma religião e sem subestimar a crença de cada um. Assim, alguém mais aqui que foi contra este casamento, não disse nada neste momento e calou-se até agora. Portanto eu oficializo este casamento e união das famílias Neto e Falcão. Podem se beijar.

Os noivos se beijam para celebrar suas uniões. Todos se levantam, aplaudem e se fazem cumprimento entre familiares.

FILÓSOFO – Antes de encerar este momento quero avisá-los que este cartório não é apenas um local oficializador de registros.

As paredes atrás do Filósofo se movem de lado, os bancos são retirados por funcionários. Rapidamente chegam vários garçons, animadores de festas e empregados carregando mesas, cadeiras, banquete e qualquer coisa adequada festa (confetes, luzes, música e etc). Até que o Filósofo troca de roupa vira o Mestre de Cerimônia com uma cartola e diz em grego:

MESTRE de CERIMÔNIA – Férte sto tsírko (“Que comece o circo!”)



FIM

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

TOPs 10 - Melhores Filmes de 2014

2014 está prestes a terminar e para mim foi ano especial de se ver muitos e MUITOS filmes, especialmente lançamentos que foram excelentes.
Para comemorar essa especialidade vou listar os TOPs 10-Melhores Filmes de 2014. A seleção funcionou da seguinte forma: são duas listas com 10 filmes cada e são divididas entre “alternativos” e “blockbusters”.
ALTERNATIVOS: são películas de arte não muito atrativas ao público.
BLOCKBUSTERS: são filmes populares que obtiveram muito marketing.

Comentem, compartilhem ou ate compartilhem as listas. Então vamos começar: 




Desejo a vida de todos, tudo de bom a melhor.


segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Olho de Cão



“Olho de Cão”

Escrito por Robson Nakazato
(29/09/2014 – Segunda feira)

AVISO do AUTOR:
– Antes de começar a ler o texto abaixo; a leitura deste roteiro exigirá imaginação do leitor, ou seja, enquanto estiver lendo imaginem como um filme. A narrativa é em “primeira pessoa”, o espectador vê toda ação ocorrer através de algum ponto de vista que na maioria dos casos é por uma câmera segurada por alguém. Exemplos de filmes que utilizaram essa técnica de primeira pessoa são: A Bruxa de Blair (1999), Cloverfield - O Mostro, (2009), a série Atividade Paranormal e Poder Sem Limites (2012).
– Esta crônica é uma homenagem à escritora russo-brasileira Tatiana Belinky, famosa por suas histórias com finais abertos e que fazem o leitor utilizar a imaginação de como será o fim da dela.


Abre a cena com imagem em preto-e-branco. Aparece um jardim gramado fresco, em um dia ensolarado, até que surge um líquido escorrendo ao lado e  uma pessoa com olhar surpreso, vendo diretamente do ponto de vista do leitor. Este chega mais perto para olhar melhor e faz uma cara como se tivesse feito uma cagada. E aí resolve chamar uma garota.

ANTONIO – Letícia! Letícia vem que cá ver! 
LETÍCIA – Ai Meu Deus do céu. (Bota as mãos na boca e no nariz) Nós dois matamos o cachorro do dono.
ANTONIO – Não. Não apenas um cão do síndico. Matamos um cachorro de uma espécie rara, que parece um filhote leão, que é na verdade um cruzamento entre pastor alemão e poodle. E esse cão fazia as pessoas de fora da casa cagarem de medo.
LETÍCIA – O que vamos fazer?
ANTONIO – O que vamos fazer com esse gramado que tá todo borrado de sangue. E ainda o dono vai chegar hoje. Portanto eu sinceramente não sei que devemos fazer.
LETÍCIA – Olha vamos o seguinte: tiraremos esse corpo daí e depois daremos um jeito no gramado.
ANTONIO – Ok.

Letícia se prepara para levantar o cão. Antonio a interrompe e pede para fazer algo antes.

ANTONIO – Espera. Antes, feche os olhos do cachorro.
LETÍCIA – Não. Não consigo. Olhe para os olhos azuis dele são tão cristalinos que não consigo tocá-los.
ANTONIO – Bom, se você tá com essa frescura, eu fecho para não perdermos tempo.

Antonio cobre os olhos do cão e assim tudo fica escuro. Porém imediatamente a imagem se abre sob a perspectiva do cão. Antonio e Letícia se preparam para levantar o cadáver, mas percebem que o olho do animal se abriu.

LETÍCIA – Antonio! O olho dele abriu sozinho!

Antonio fecha novamente os olhos e a imagem fica escura. E mais uma vez o olho se abre e vemos Antonio e Letícia carregando o corpo e depois o deixam  no chão. Os dois percebem que um dos olhos não está mais fechado.

ANTONIO – Cacete desse olho azul cristalino! Letícia, faça o seguinte: pega um pano bem velho, um jornal e uma daquelas sacolas grandes de compras, tipo aquelas do Shopping China grandonas. Vamos enrolar o corpo no pano, depois embrulharemos no jornal, colocamos na sacola e depois enterraremos em um aterro ou lixão.
LETÍCIA – Aterro sanitário ou lixão?!
ANTONIO – É a melhor forma de disfarçar o cheiro.

Letícia fica convencida imediatamente pela ideia de Antonio e vai à busca das coisas exigidas. Enquanto isso, Antonio tenta se distrair e acalmar sua tensão. Começa brincar com os olhos azuis cristalinos do cadáver, abrindo e fechando; como se ele estivesse piscando. Devido essa brincadeira a imagem começa a focar em Antonio, e assim o olho começa a se mover. Até que a brincadeira faz com que o olho saia da cabeça do cachorro, fazendo com que Antonio se assuste.

ANTONIO – O caralho!
LETICIA – O que tá acontecendo aí?
ANTONIO – Nada!

Enquanto os dois estavam falando, o olho saiu rapidamente do campo de visão do Antonio, deixando ele ainda mais nervoso depois de sua idiotice. O olho saiu rolando até ficar embaixo de um arbusto, de onde é possível ver amplamente toda a cena.

ANTONIO – Puta que pariu. Cadê o maldito olho azul?

Antonio ouve Letícia se aproximando e tenta achar alguma coisa capaz de tapar o buraco no crânio canino. Então revolve pegar a própria bolinha pula-pula que tinha o desenho de um olho. Ele a enfiou fundo, dando uma cotovelada como se fosse um martelo até que a bolinha ficou presa. Ele conseguiu fazer tudo isso antes da chegada de Letícia.

LETICIA – Nossa você conseguiu deixar de olho fechado.
ANTONIO – É. Sou foda.

A dupla enrola o corpo embrulhando com o jornal. Antes de carregar o cadáver e levar para o aterro, eles ouvem um barulho de carro chegando e o portão eletrônico começa a abrir. Desesperadamente tentam encontrar um esconderijo. A dupla esconde o morto em um baú, trancam-no e depois colocam um pano por cima do baú. A porta da frente se abre. O dono do cão defunto sai do carro junto com um gato branco. O dono abre a porta da frente e seu gatinho vai em direção ao arbusto onde está o olho. Enquanto Antonio e Letícia cumprimentam o patrão, o mascote felino brinca com olho como se fosse novelo. Quando o dono vai ver o seu gato, ele fica com olhar surpreso e diz para os inquilinos:

DONO – Ei! (Virando a cara para os inquilinos) Mas que PORRA é essa?!

Nessa hora o gato se assusta e joga o olho, que cai em uma poça. Assim a cena fica escura e apenas se ouve os gritos das três pessoas e miados do gato.


Fim

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Imóvel ao Fim de Semana



“Imóvel ao Fim de Semana”
(10/12/2014 – quarta feira)
Escrito por Robson Nakazato


Inicia–se com a imagem em preto e com uma narração em “off ” (narrador em primeira pessoa que relata sem aparecer em cena).

ACADÊMICO – Desde que sai da minha terra natal, Campo Grande, passei a morar em El Dourado por causa da faculdade. Minha vida passou a se tornar uma rotina sistemática; mesmo que eu volte para casa nos finais de semana, ,inha vida se tornou igual àqueles videoclipes no qual o cantor fica numa posição de estatueta reta e o fundo é todo movimentado, na qual o mundo está cada vez mais com pouco tempo. Para entender um pouco do que eu estou falando veja o clipe de Phil Collins (http://www.youtube.com/watch?v=ZQJh-oU0M9Y).

O Acadêmico acorda e ele vê na sua mente a sua rotina diária da semana. Ele permanece reto, em sua posição e o fundo se movimenta de forma frenética, o ambiente se altera com o decorrer de cada dia; até chegar sexta–feira com o Acadêmico sentado em um banco, depois ele se levanta, começa a caminhar e fala novamente com leitor.

ACADÊMICO – Isso mesmo, até os sábados e domingos não servem para “quebrar a rotina”; se fosse ao contrário eu não percorreria 230 km de distância, não perderia exatamente 7 horas na estrada. E ainda mais, às vezes existem obstáculos nos finais de semana. Acompanhem a minha agenda:
Ø  Sextas–feiras:
– Enfrentar 3:30h de estrada pela única empresa de ônibus com o trecho (El-Dorado - Campo Grande), ou seja, você deve se adequar aos horários definidos pela empresa.
Ø  Sábado:
–  Ajudar a fazer o almoço espetáculo (almoços trabalhosos) ;
–  Limpar o quintal;
–  Jogar vôlei de tarde;
–  E a melhor parte do dia: jantar em restaurante.
Ø  Domingo:
– As vezes tenho que ajudar  na realização de alguns eventos;
- E o pior: ver o que final de semana acabou e não consegui aproveitar e nem descansar;
– E nesse dia ainda tenho que voltar  El-Dorado e enfrentar mais uma semana que se inicia.

No dia seguinte, o Acadêmico levanta da sua cama, vai para a universidade, encontra um banco para se sentar e faz perguntas ao leitor:

ACADÊMICO – Mas aí vocês devem estar se perguntando: “por que eu não me recuso ou simplesmente digo NÃO para esses afazeres?”. E eu também te pergunto: “é fácil você dizer NÃO para sua vida?”.

O Acadêmico se levanta do banco.

ACADÊMICO – Se você é bolsista, por exemplo, recebe vales ou recursos financeiros para estudar ou trabalhar em projetos. (O Acadêmico aponta o dedo para esse bolsista do exemplo). Olhem para aquele Sujeito, é um conhecido, que não possui boas condições de vida; ele é um acumulador de bolsas, que ninguém sabe quantas ele tem. Vocês acham que ele diria algum “não” para os projetos que ele faz? Ei Sujeito, chega aí. Me diga se tem coragem de falar algum “não” para algum projeto que você ganha bolsa?
SUJEITO – Olha devido ao meu excesso de bolsas e projetos que participo é muito exaustivo para mim. Mas se eu disser “não” às atividades obrigatórias, corro sérios riscos de perder tudo.
ACADÊMICO – Se sua situação financeira fosse oposta, se seus pais ralassem e conseguissem te manter aqui. Seria possível falar algum NÃO a eles?
SUJEITO – Eu penso da seguinte forma: na situação de negar ajuda no almoço, meu pai diria: “É assim? Ralo para te por na universidade, te dou oportunidade e é assim que você me agradece? Pois não é minha obrigação a fazer isso e já que você se acha o dono do próprio nariz então utilize sua mesada presidencial para pagar suas contas!”. Logo, apesar de ter coisas que não gosto de fazer, tenho a obrigação de cumprir.
ACADÊMICO – Ok. Muito obrigado.

O Sujeito sai de cena. Após o Sujeito se retirar o Acadêmico, olha para leitor querendo lhe dar sermão:

ACADÊMICO – Está vendo? Se você é acadêmico como eu e acha tão simples dizer “não” para sua vida fora da faculdade, você é cego com aqueles que lutam por você.

Acadêmico anda pela cidade e manda seu recado:

ACADÊMICO – A vida sempre é complicada. O desejo de torná-la boa deve ser encarado com responsabilidades, caso contrário, faça uma boa ação e repense em todas as suas atitudes e veja que tem muita gente que gostaria de ter as suas oportunidades.

O Acadêmico senta em um banco de uma praça e olha diretamente a uma grande imagem de Campo Grande.

ACADÊMICO – Sabem o que mais desejo fazer quando vou para lá? Simples! Acordar de manhã; tomar café tranquilamente; sair e ir para o centro da cidade; comprar alguma bobeira; cortar o almoço; e deixar a cozinha quieta.



Fim


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Você e mais 19999 inscritos no canal Meus Dois Centavos de Tiago Belotti

Em primeiro lugar, eu quero deixar claro que essa será a primeira, única e ultima vez que estou fazendo isso, pois meu objetivo não é fazer propaganda. A pedido de um crítico de cinema na qual eu sou muito fã decidi ajudar junto com outros fãs a fazer divulgação. 

O cineasta e crítico de cinema Tiago Belotti do canal do YouTube "Meus Dois Centavos" quer fechar 2014 com chave de ouro tendo 20.000 inscritos uma tarefa complicada até fim do ano. Portanto peço a você conhecido, leitor do Pulp Alter e pessoa que estiver simplesmente lendo isso se tiver uma conta própria no YouTube por favor inscrevam-se no canal como uma boa iniciativa de ajudar. Diferente de muitos críticos de jornais e revistas Belotti para mim é avaliador de filmes mais acessível e compreensivel ao publico, aconselho a você(s) assista pelo uma crítica de preferência de um filme que você(s) já viu.

Este é link do canal dele: https://www.youtube.com/channel/UCiSarBtpSphUrxtKDIW9c_A
E também um video sobre seu desejo: https://www.youtube.com/watch?v=VyXM_e6PXAI

PS: não estou fazendo isso também só para ganhar o dvd do filme dele "A Capital dos Mortos". Novamente falo que é divulgação de algo e nada de mais.



Robson Nakazato

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Ao Mestre Com Honestidade

“Ao Mestre com Honestidade”

(15/07/2014 – Terça feira)

Escrito por Robson Nakazato



Em um ginásio de colégio público que estava lotado de alunos, professores, funcionários terceirizados e coordenadores. No palco está subindo um palestrante chamado Brian. Os funcionários mais antigos o reconhecem como ex-aluno e todos estão cochichando sobre o que ele irá falar.

- Ah não, lá vem outro Zé que irá falar sobre a importância de estudar, ter educação, fazer uma faculdade ou participação acadêmica.
- Será que ele não pode falar outra coisa contrária disto?
- Aposto que ele jamais irá falar mal da profissão ou de seu arrependimento de ter perdido 10 anos de sua vida apenas em estudos.

O Diretor do colégio pede para que todos os presentes fiquem em silêncio e começa apresentar o Brian, apoiando com uma mão no ombro do seu ex-aluno. Até que o Brian começa a falar seu discurso:

BRIAN – Olá, bom dia a todos. Meu nome é Brian. Vocês estão pensando: “nossa que nome mais americano”. Meus pais me batizaram com este nome porque no inglês o som e as letras lembram a palavra “cérebro”. Como a maioria dos brasileiros, vivi em uma situação miserável na infância e na adolescência. Por toda minha vida meus velhos sempre me diziam para valorizar este órgão (fica apontando o dedo na cabeça). E jamais dê importância algum outro órgão, como por exemplo: CÚ. (Nesse momento todo mundo começa a olhar para Brian e presta atenção no seu discurso).

Brian dá uma pequena pausa e volta a discursar fazendo uma pergunta:

BRIAN – Eu queria saber quem de vocês assistiu a serie de TV Breaking Bad?

Grande parte levanta a mão.

BRIAN – E vocês devem estar se perguntando qual a tradução para o português. Traduzindo significa “Quebrando Mal”. Mas qual é o sentido desta expressão?

Todo muito fica com a pulga atrás da orelha em querer saber. Até que alguém responde:

ALUNO – Significa que uma situação que já estava ruim com o passar do tempo fica cada vez mais pior. Ou seja, “de mal a pior”.
BRIAN – Exatamente, senhor?
ALUNO – Jonas.
BRIAN – Obrigado, Jonas. Vocês devem estar se perguntando por que alguém com mestrado está aqui num colégio falando de Breaking Bad, ao invés de dar aula na universidade. Porque a situação da educação brasileira está seguindo exatamente este rumo tanto aqui, no ensino fundamental e médio quanto no superior. E tudo isso é culpa de vocês, estudantes, que arruínam a educação brasileira.

Assim que o Brian ofendeu os alunos estes começam a prestar mais atenção nele.

BRIAN – Ainda tem alguns que dizem que a principal causa é falta de qualidade de ensino e dos professores. Mas eu lhes digo que não é. Todo professor ralou para estar aqui e dá o melhor de si para gerar aprendizado.

Brian desce do palco.

BRIAN – Já se perguntaram quais os motivos de vocês arruinarem o ensino? Por dois motivos: a valorização da cultura ridicularizada e incompetência do seu governo!

Brian põe a mão no bolso para pegar uma coisa.

BRIAN – Devido a influencia da cultura atual e a globalização, vocês jovens não se passam como “bateria” para isto. (BRIAN tira a mão do bolso e segura um iphone, e demonstra isso de maneira similar ao personagem Morpheus em uma cena abaixo do filme Matrix).



Brian liga um projetor de imagens e demonstra imagens de propaganda política, sendo que uma delas tem a seguinte frase: “Alunos de baixa renda que entram nas universidades com cotas é sinal sinônimo de melhora na qualidade na educação”.

BRIAN – Mas a culpa não só dos estudantes. Deveríamos sentir vergonha do nosso governo e sua propa(en)gana populista política, que só se preocupa em elevar a massa populacional nas universidades, ao invés de melhorar a qualidade nas escolas de ensino básico, o lugar fundamental para formação. E é por isso que muitos de vocês que ao pisarem no solo acadêmico irão sentir-se ilhados nas explicações teóricas dos professores.

O projetor exibe uma frase hipnótica: “Change Brain” (“Mude Cérebro”). O projetor desliga e Brian pega um lenço para enxugar o suor na testa. Sobe ao palco, toma uma água e faz outra pergunta:

BRAIN – To ficando quase sem voz de só ficar falando. Antes de terminar queria fazer uma última pergunta: quem de vocês já trabalhou?

Muitos levantam as mãos.

BRIAN – Deixe-me adivinhar, muitos de vocês trabalharam em caixa de supermercado e na roça, certo?
ALUNOS – Sim.
 BRIAN – E alguns de vocês gostam ou se orgulham pelo trabalho?
ALUNOS – Não!
BRIAN – Sei o motivo. Vocês foram forçados pelos pais/familiares ou simplesmente tiveram dificuldades financeiras. Eu sobre este ponto de vista entendo que para você vencer na vida não é nada fácil. Está aí a incapacidade dos professores em não incentivarem vocês a não enxergar o futuro de suas vidas sem necessariamente ter cursado uma faculdade, ou seja, ter investido em um hobby,  MAS não pensem que isso é sinônimo de largar de estudar. Hobby é dom natural que se descobre sozinho quando se tem amor ou prazer por aquilo que se faz e sem necessariamente muito esforço para o desenvolver. Se você sabe que é bom com números e faz contas sem erros: seja um contador; se você escreve bem: seja um escritor ou redator; se você tem facilidade com mapas através de programas de computador, dá para ganhar dinheiro com moleza.

Brian desliga o projetor e fica na beira do palco para dar um aviso.

BRIAN – Então para concluirmos este discurso polêmico vou fechar com minhas mensagens: “Enriqueça seu cérebro para entrar na universidade” (CHANGE BRAIN)! “Encontre seu hobby!”. E lembrem-se do meu lema: “SEJAM ÚTEIS PARA A SOCIEDADE! SEJAM ÚTEIS A SI PRÓPRIOS E DEEM UM SIGNIFICADO PARA SUAS VIDAS!” (levanta seu rosto para céu) “SEJAM ÚTEIS!!!!!!”.

Brian desmaia e cai de encontro ao chão. Brian é socorrido. O Diretor do colégio aparece em cena à frente do palco e fala com os alunos:

DIRETOR – Bom. O mestre aqui deixou bem claro a vocês! Aqueles que querem encontrar seu hobby que contribua para  a sociedade vão para casa, pensem e reflitam sobre seu futuro. E aqueles que querem pisar em uma universidade, por favor, fiquem aqui.

Grande parte dos alunos se levanta e saem não muito animados por terem sido dispensados loucamente. Um pouco mais de um terço dos estudantes permaneceram. Quando estava calmo e em silêncio, o Diretor fala com Brian:

BRIAN – Ok Brian. A barra tá limpa.

Brian abre os olhos e se levanta com um sorriso.

DIRETOR – Bom trabalho e foi um belo discurso, hein.
BRIAN – Essa operação varredura dos alunos arruinadores sempre funcionou.



FIM

“Feliz Dia do Professor. Especialmente à professora NANCY”.